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O Leite - necessário ou nocivo?

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Hoje em dia são várias as opiniões sobre o consumo de leite. É de facto um alimento com fortes tradições na cultura alimentar das sociedades atuais e cuja publicidade, bem como aconselhamento médico, promovem muitas vezes o seu consumo. A falta de consenso parece estar ligada ao facto de, terminado o aleitamento, passarmos a beber leite de vaca, ou outro animal, o que na realidade não é a mesma coisa.

O leite proveniente de animais, em particular de vacas, tem sido, desde há algum tempo, um alimento de base em algumas, mas não todas, as culturas. Ele também constitui outras fontes de alimentos, nomeadamente queijo, iogurte, manteiga e kefir. É também considerado uma fonte importante de proteína, potássio e cálcio. Por outro lado, é um fator desencadeante para a intolerância à lactose. A lactose é um açúcar normalmente digerido no trato gastrointestinal. A maioria das pessoas não têm ou perderam a possibilidade de digerir este açúcar e consequentemente sofrem de cólicas significantes, distensão abdominal ou, por vezes diarreia quando consomem produtos lácteos. A alergia aos produtos lácteos é uma das mais reportadas. Mesmo quando não existe uma alergia específica, o leite é frequentemente pouco tolerado pelo trato gastrointestinal.

Na qualidade de mamíferos que somos, o leite é de facto um alimento fundamental para o nosso desenvolvimento nos primeiros anos de vida. Um bebé quando nasce deverá ser amamentado até aos 6 meses ou idealmente até aos 12 meses de idade, período em que segundo a Organização Mundial de Saúde será de extrema importância o consumo deste alimento. A partir deste período não serão necessárias fontes lácteas. Caso a mãe não tenha tido a hipótese de amamentar por este período, então há que considerar a introdução de leite em pó até que o bebé complete 1 ano.

Para quem queira manter produtos lácteos na sua dieta, a informação disponível é que o leite "normal" pode não ser tão saudável. O leite de vaca industrializado proveniente de vacas alimentadas com hormonas e produtos tratados com pesticidas, para além dos antibióticos utilizados para tratar as mastites que por vezes ocorrem devido à ordenha mecânica, é muito diferente do leite saudável que existia há decadas atrás. Os contaminantes no leite são uma realidade e ainda não sabemos bem qual o impacto no corpo de quem os ingere. A melhor opção é escolher leite a partir de vacas de pasto ou optar por leite de cabra. Existe uma grande diferença entre o leite puro retirado de uma vaca alimentada em pastos verdes e o leite adquirido num supermercado. O leite comercializado tem características bioquímicas, enzimáticas e nutricionais completamente diferentes que resultam quer do processo de industrialização quer da alimentação da vaca. 

Qual a importância de beber leite?

Conforme mencionado anteriormente, o conselho para a ingestão deste alimento baseia-se no facto de o leite ser uma fonte importante de três nutrientes: potássio, cálcio e proteínas.

Sódio em excesso e potássio em falta - são dois fatores de risco para a hipertensão. Infelizmente a maioria das pessoas ingerem demasiado sal ao mesmo tempo que a dieta é pobre em potássio. Mas o leite não é a única fonte de potássio: muitos legumes e frutas são riquíssimas em potássio (batata doce, banana, espinafres, pêra abacate, kiwi, cogumelos e couve). Para além disto, seria prudente diminuir a quantidade de sal na dieta.

Uma das razões mais conhecidas para bebermos leite e ingerir produtos lácteos é a redução da osteoporose e consequentemente diminuição do número de fraturas ósseas, devido ao cálcio. Mas, de facto, existe pouca evidência que o consumo de leite esteja associado a uma redução de fraturas. Em países onde o consumo de leite é quase nulo (muitos países asiáticos), estes apresentam números muito baixos de fraturas. Um estudo clínico que decorreu durante 12 anos em 77 761 mulheres entre as idades de 34 a 59 anos (Harvard Nurses´Health Study) e publicado em 1997 demonstrou que não houve evidência que suportasse que o consumo aumentado de leite é proporcional a uma dimunuição de fraturas ósseas. Aliás, este estudo concluiu que as mulheres que mais produtos láctoes consumiram, apresentaram mais fraturas ósseas do que as mulheres que raramente beberam leite! Temos que ter em conta também o seguinte: o processo de pasteurização do leite destroi as enzimas. Uma delas, a fosfatase, é essencial para a absorção do cálcio. Que adianta o leite conter cálcio se a sua absorção está prejudicada?

Mas voltando ao que expomos anteriormente...as mulheres que mais leite beberam apresentaram mais fraturas? Como..?

Como todas as proteínas animais, o leite aumenta a acidez de pH do corpo humano, o que vai desencadear uma correção automática da parte do organismo. O cálcio é um dos alcalinizantes mais eficazes que possuímos e o nosso maior reservatório está precisamente na estrutra óssea. Assim sendo, o cálcio que necessitamos para manter os nossos ossos fortes e saudáveis vai ser utilizado para neutralizar o efeito do leite. Uma vez que sai dos ossos para equilibrar o pH, o cálcio é posteriormente excretado na urina.

Quando falamos de saúde óssea, mais do que nunca devemos abordar de forma integrada o estilo de vida e não apenas a alimentação e a mera soma de todos os nutrientes que dela fazem parte: níveis circulantes de vitamina D (provenientes da alimentação e exposição solar), de magnésio (provenientes da suplementação e alimentação), exercício físico com "impacto"(como corrida, caminhada e musculação), ingestão de vitamina K (couve, espargos, ameixas secas, brócolos, ervas aromáticas), diminuição da ingestão de proteína, cafeína e refrigerantes com ácido fosfórico e as flutuações hormonais (sobretudo nas mulheres após a menopausa). É uma conjugação favorável de todos este fatores (que raramente se verifica nos países ocidentais) que explica que algumas populações com baixíssima ingestão de cálcio e laticínios apresentam uma prevalência de osteoporose também ela muito baixa. Podemos então dizer que a chave do sucesso para combater a osteoporose não depende de quanto cálcio ingerimos, mas sim quanto conseguimos prevenir que saia dos nossos ossos. 

Relativamente ao aporte de cálcio para o organismo, este está presente em grandes quantidades e de uma forma mais biodisponível para a sua absorção, nos vegetais de folha verde escura (brócolos, espinafres, agrião), alho, fruta (kiwi, laranja, tangerina), feijões, sementes (sésamo, chia, linhaça girassol) e oleaginosas (amêndoas, nozes, castanhas do Brasil).

O leite é considerado um alimento portador de proteínas de elevado valor biológico em quantidades significativas e que fornecem todos os aminoácidos essenciais que o nosso organismo não tem a capacidade de sintetizar, pelo que depende da ingestão alimentar para os obter. No entanto, isso é verdade e relevante se se pratica uma dieta isenta de peixe, carne e ovos. As proteínas do leite contém todos os aminoácidos essenciais, mas os ovos, a carne e o peixe também os contêm e em maior quantidade que o leite. 

Em 2011, a Universidade de Harvard excluiu os laticínios da sua representação gráfica da Guia de Alimentação Saudável mas os autores referiram que se podia ingerir 1 a 2 porções de laticínios por dia. As razões para esta limitação:

- aumento de risco de cancro da próstata (em casos de ingestão de elevadas quantidades de leite gordo após o diagnóstico da doença);

- risco moderado de cancro do ovário com a ingestão de lactose equivalente a 3 ou mais porções de laticínios por dia (não só leite em particular).

Para além dos aspetos acima mencionados, há que referir também o ponto de vista da medicina complementar sobre o leite. De acordo com a Medicina Chinesa Tradicional, os alimentos lácteos têm uma "natureza fria e húmida", e interferem com a digestão. Logo vão prejudicar o organismo. 

Mas afinal, o que se pode beber em vez de leite caso opte por essa mudança?

A bebida de soja não deverá ser a substituta literal do leite de vaca. Existem outras bebidas como de amêndoa, arroz, espelta, trigo-sacarreno, quinoa etc. que poderão ser consumidos de uma forma variada e equilibrada.

Em resumo...

Este é um assunto que causa algum desconforto aos amantes do leite mas fica a sugestão: retire o leite de animal da sua dieta durante 1 mês. Decida por si se sente algumas diferenças ou não. Oiça aquilo que o seu corpo esta a dizer, e respeite sempre a resposta que lhe é dada... 

 

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